A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) comemorou nas redes sociais a sinalização de que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 poderá ser votada até maio na Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, fez um alerta contundente sobre o que classificou como uma ofensiva articulada contra a proposta. Leia em TVT News.
Em publicação, a parlamentar destacou o avanço na tramitação após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enviar o texto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “🚨 FIM DA 6×1 SERÁ VOTADO ATÉ MAIO!”, escreveu. Segundo ela, “Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, após enviar a nossa PEC para a CCJ ontem, anunciou hoje que ela deve ser votada até maio”.
A deputada ressaltou a autoria coletiva da proposta. “A nossa proposta, apresentada por mim, pelo @RickAzzevedo e pelo @Movimento_VAT, acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho semanal para 36 horas semanais.”
Apesar do avanço, Erika enfatizou que o momento não é de acomodação. “Porém, ainda não é hora de celebrar. Desde ontem, a proposta está sendo atacada de todas as formas possíveis”, afirmou.
Ela direcionou críticas à cobertura de parte da imprensa. “De um lado, a imprensa, utilizando estudos extremamente limitados, está publicando manchetes tendenciosas, dizendo que o fim da escala 6×1 e a redução da jornada causarão um verdadeiro apocalipse.” Em tom irônico, acrescentou: “Sério. Daqui a pouco tão falando que a escala 6×1 é uma criação divina e alterá-la vai contra os planos de Deus.”
A deputada também acusou omissão em relação a estudos favoráveis à mudança. “E, obviamente, estão ignorando completamente os estudos que dizem o oposto, que o fim da escala 6×1 e a redução da jornada gerarão novos empregos e aumentarão a produtividade do trabalhador brasileiro.”
No campo político, Erika apontou uma articulação para desidratar a proposta original. “Do outro lado, os deputados bolsonaristas estão tentando preparar uma arapuca: o fim da 6×1 SEM NENHUMA redução da jornada de trabalho.”
Ela detalhou o que considera uma manobra: “A ideia é que o povo brasileiro siga trabalhando 44 horas semanais, mas durante 5 dias por semana.” Para a deputada, isso significaria manter inalterada a carga horária fixada na Constituição de 1988. “Na prática, isso é seguir com a jornada semanal estabelecida na Constituição de 1988, quando o ápice de inovação e tecnologia nas empresas era pagar o curso de datilógrafo pra algum dos funcionários.”
Erika criticou o que definiu como mentalidade ultrapassada de parte do Congresso. “Sim, muitos dos nossos deputados ainda estão pensando com a cabeça de um século atrás.” E concluiu: “E eles querem que o trabalhador brasileiro fique preso no passado com eles, que o Brasil não inove e que o lucro dos nossos empresários seja dependente de uma escala de trabalho herdada da escravidão.”
Ao final da postagem, a deputada convocou mobilização popular em defesa do texto original da PEC. “Por isso, acesse o site http://FimDaEscala6x1.com, assine a petição e mande um recado claro aos deputados: o que queremos o fim da 6×1 com a redução da jornada de trabalho semanal!”
A sinalização de que a matéria poderá ir a voto até maio intensificou o debate público sobre a organização da jornada de trabalho no país. Enquanto defensores argumentam que a redução para 36 horas semanais pode gerar empregos e elevar a produtividade, setores empresariais e parlamentares conservadores passaram a vocalizar resistência à proposta.
🚨 FIM DA 6×1 SERÁ VOTADO ATÉ MAIO!Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, após enviar a nossa PEC para a CCJ ontem, anunciou hoje que ela deve ser votada até maio.A nossa proposta, apresentada por mim, pelo @RickAzzevedo e pelo @Movimento_VAT, acaba com a escala 6×1… pic.twitter.com/JLpByDEFWW— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) February 10, 2026
VAT diz que campanha contra lembra argumentos escravocratas
O vereador Rick Azevedo (Psol-RJ), integrante do movimento VAT (Vida Além do Trabalho), também reagiu às críticas do empresário Luciano Hang à proposta.
Em entrevista à BBC Brasil, Azevedo afirmou que a resistência à redução da jornada repete um padrão histórico. “Sempre que se tentou ampliar direitos, disseram que o país ia quebrar”, declarou.
Nas redes sociais, o vereador associou os argumentos contrários à PEC a justificativas usadas em outros períodos para barrar avanços sociais, sustentando que o discurso atual ignora impactos sobre saúde, tempo de descanso e convivência familiar.
Azevedo tem defendido que o debate considere experiências internacionais e evidências sobre produtividade. Para ele, o centro da discussão é garantir melhores condições de vida à classe trabalhadora. Com a possibilidade de votação até maio, o movimento VAT intensifica a mobilização para que a proposta seja aprovada com redução da jornada para 36 horas semanais, como previsto no texto original.













