Presidentes discutem governança da inteligencia artificial, cooperacao em defesa e combate ao narcotrafico na fronteira com a Guiana
À margem da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, realizada nesta quinta-feira (19) na Índia, o presidente Lula reuniu-se com o presidente da França, Emmanuel Macron, e recebeu convite formal para participar da próxima reunião do G7, prevista para junho. O gesto reforça o protagonismo diplomático do Brasil e sinaliza a intenção francesa de ampliar o diálogo com países emergentes em temas estratégicos da agenda global. Leia em TVT News.
Durante o encontro, realizado em Nova Délhi, os dois líderes trataram da governança internacional da inteligência artificial, defendendo a construção de marcos regulatórios que garantam segurança, transparência e respeito aos direitos fundamentais. Macron destacou a importância de uma IA “segura e confiável”, com coordenação entre países do Norte e do Sul Global, enquanto Lula reiterou a necessidade de que o desenvolvimento tecnológico esteja associado à redução de desigualdades e ao fortalecimento do multilateralismo.
A reunião também avançou em pautas bilaterais sensíveis. De acordo com informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, Brasil e França discutiram o aprofundamento da cooperação em defesa, com foco em transferência de tecnologia e fortalecimento da base industrial estratégica. A parceria na área militar é considerada um dos pilares da relação entre os dois países.
Outro tema central foi o combate ao narcotráfico e ao garimpo ilegal na região amazônica, especialmente na faixa de fronteira entre o Brasil e a Guiana — departamento ultramarino francês na América do Sul. Os presidentes avaliaram mecanismos de coordenação para enfrentar organizações criminosas transnacionais que atuam na área, com troca de informações e operações conjuntas.
Na área da saúde, Lula e Macron trataram da cooperação para ampliar a capacidade produtiva de vacinas e insumos estratégicos, agenda que ganhou relevância após a pandemia de covid-19. O fortalecimento das cadeias produtivas e a autonomia tecnológica são prioridades compartilhadas, segundo relatos oficiais.
O convite para o G7 ocorre em um momento de reconfiguração das alianças internacionais, com o Brasil buscando ampliar sua presença em fóruns globais e defender reformas na governança internacional. Embora o país não integre o grupo, a participação como convidado amplia o espaço para diálogo sobre transição energética, financiamento climático, segurança alimentar e regulação digital.
A reaproximação entre Lula e Macron consolida um novo ciclo nas relações bilaterais, após tensões diplomáticas nos anos anteriores. Ambos têm defendido maior articulação entre democracias e um esforço conjunto para enfrentar desafios globais como a crise climática, a desinformação e o avanço do crime organizado.
Ao final do encontro, os dois presidentes sinalizaram que pretendem manter o diálogo frequente nos próximos meses, com intercâmbio de visitas e aprofundamento de acordos setoriais. Em meio ao debate global sobre os impactos da inteligência artificial e às disputas geopolíticas em curso, Brasil e França apostam na cooperação estratégica como instrumento de desenvolvimento, soberania e estabilidade internacional.













