A Justiça do Rio de Janeiro absolveu, em primeira instância, os sete acusados pelo incêndio ocorrido no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, em fevereiro de 2019. A tragédia resultou na morte de dez jovens atletas das categorias de base do clube. Entenda mais em TVT News.
Os réus foram denunciados por incêndio culposo e lesão corporal grave. A decisão judicial, que ainda pode ser contestada por meio de recurso, foi proferida pelo juiz Tiago Fernandes Barros, da 36ª Vara Criminal, que considerou a ação improcedente.
Em maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) havia solicitado a condenação de todos os envolvidos, após a coleta de depoimentos de mais de 40 testemunhas ao longo do processo.
Quem são os acusados?
Os sete réus absolvidos em primeira instância no caso são: Márcio Garotti, ex-diretor financeiro do Flamengo (2017–2020); Marcelo Maia de Sá, ex-diretor adjunto de patrimônio; os engenheiros Danilo Duarte, Fábio Hilário da Silva e Weslley Gimenes, responsáveis pelas instalações técnicas dos containers; Claudia Pereira Rodrigues, que assinou os contratos da empresa NHJ; e Edson Colman, sócio da Colman Refrigeração, encarregado da manutenção dos aparelhos de ar-condicionado que provocaram o incêndio.
Antes da decisão anunciada agora, já havia sido extinto o processo contra o então presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. Outros três acusados já tinham sido absolvidos.
Segundo a Justiça, não há provas suficientes para sustentar a condenação dos acusados. A decisão aponta que as denúncias são improcedentes e não se alinham às funções efetivamente desempenhadas por cada réu em suas respectivas empresas. A sentença tem 227 páginas, veja a conclusão do juíz abaixo:
Sentença da Justiça do incêndio no Ninho do Urubu absolve todos os acusados. Foto: Reprodução/Venê Casagrande/X
Sentença da Justiça do incêndio no Ninho do Urubu absolve todos os acusados. Foto: Reprodução/Venê Casagrande/X
Relembre a tragédia
Na madrugada de 8 de fevereiro de 2019, um incêndio atingiu o Ninho do Urubu, em Vargem Grande. Na ocasião, atletas das categorias de base dormiam em alojamentos improvisados em contêineres dentro do Centro de Treinamento. O fogo começou por causa de uma falha em um aparelho de ar-condicionado. A tragédia deixou dez jovens mortos e três jogadores feridos.
Entre as vítimas do incêndio estavam dez jovens atletas: Athila Paixão (14 anos), Arthur Vinícius (14), Bernardo Pisetta (14), Christian Esmério (15), Gedson Santos (14), Jorge Eduardo Santos (15), Pablo Henrique (14), Rykelmo de Souza (16), Samuel Thomas Rosa (15) e Vitor Isaías (15).
Outros 16 adolescentes também estavam no local na hora do incêndio, mas conseguiram escapar com vida.
Três jogadores — Jhonata Ventura, Dyogo Alves e Cauan Emanuel — ficaram feridos, mas se recuperaram e continuam com suas carreiras ligadas ao futebol.
As famílias dos 10 adolescentes mortos receberam indenização do Flamengo.













