Os trabalhadores dos Correios em São Paulo entraram em estado de greve e já têm uma data indicada para paralisação em dezembro. A categoria aprovou em assembleia a proposta de cruzar os braços em 16 de dezembro, caso não haja avanço nas negociações, em meio a um cenário de forte reestruturação da estatal, marcada por prejuízos sucessivos e fechamento de agências em diversas regiões do país.
Quais as perspectivas para a greve dos Correios?
O indicativo de greve dos Correios em dezembro surge diante de impasses nas negociações sobre direitos, salários e condições de trabalho. Dirigentes sindicais apontam como principal preocupação o impacto do plano de reestruturação no cotidiano dos empregados, com cortes de custos e redução do quadro de pessoal.
A orientação do sindicato é manter a mobilização em todo o estado, acompanhando o desdobramento das tratativas em nível nacional. Segundo o presidente do SINTECT-SP, Elias Diviza, a unidade da categoria é central nas negociações, articulando-se com outros sindicatos para um calendário comum de lutas e pressão sobre governo e direção da estatal.
Qual a influência do plano de reestruturação dos Correios na paralisação?
A paralisação ocorre em um dos momentos mais delicados dos últimos anos para os Correios, que acumula prejuízos expressivos. Entre janeiro e setembro deste ano, a empresa registrou resultado negativo de cerca de 6 bilhões de reais e, desde julho, opera no vermelho, buscando medidas de ajuste financeiro.
Um dos eixos centrais é um empréstimo de 20 bilhões de reais, aprovado internamente e aguardando análise final do Tesouro Nacional. Esse financiamento sustenta um amplo plano de reestruturação, que inclui cortes de custos, fechamento de unidades e venda de ativos, gerando forte tensão com os trabalhadores.
Esse pacote de medidas se desdobra em ações específicas, que impactam diretamente a organização do trabalho, a prestação de serviços e a estabilidade dos empregados dos Correios em todo o país:
Corte de custos na faixa de 2 bilhões de reais, com foco em redução de pessoal;
Fechamento de aproximadamente mil agências dos Correios, sobretudo em áreas consideradas menos rentáveis;
Venda de imóveis ociosos, estimada em 1,5 bilhão de reais, para reforçar o caixa da estatal;
Ampliação de receitas com novos serviços e parcerias com empresas privadas de logística.
Parte relevante dos recursos do empréstimo será destinada a um plano de demissão voluntária, que mira o desligamento de cerca de dez mil funcionários. O restante cobrirá dívidas antigas, empréstimos bancários, pendências com fornecedores, sentenças judiciais e recolhimentos de previdência e FGTS, o que acentua o temor de sobrecarga de trabalho nas unidades que permanecerem ativas.
Quais os impactos de uma greve dos Correios em dezembro?
Em um mês de maior circulação de encomendas, como dezembro, a greve dos trabalhadores dos Correios pode afetar comércio, e-commerce e serviços públicos que dependem da estatal. Entregas de documentos, correspondências e pacotes tendem a sofrer atrasos, impactando empresas e cidadãos em diversas regiões.
Especialistas em serviços postais apontam que paralisações em períodos de alta demanda têm efeitos mais perceptíveis para a população. Em geral, as greves seguem um cronograma com assembleias, definição de serviços essenciais, negociações intermediadas por órgãos do governo e votações sobre manutenção ou encerramento da paralisação.
Como a mobilização em São Paulo pode influenciar outros estados?
O SINTECT-SP desempenha papel de destaque na coordenação nacional da categoria, tornando a mobilização paulista um termômetro para o restante do país. Assembleias semelhantes podem ser realizadas em outros estados, e a data de 16 de dezembro pode marcar uma paralisação mais ampla, caso as negociações não avancem.
A caravana para Brasília em 9 de dezembro e o ato unificado nacional de 10 de dezembro funcionam como espaços de articulação entre sindicatos, federações e centrais sindicais. Nesses encontros, tendem a ser discutidos o futuro dos Correios, o modelo de financiamento da empresa e as condições para manter o serviço postal como política pública.
FAQ sobre greve nos Correios
Os Correios podem suspender totalmente os serviços em caso de greve? Em geral, greves nos Correios preservam parte dos serviços essenciais, como entregas de saúde, justiça e alguns tipos de correspondência oficial, conforme acordos ou decisões judiciais.
Quem decide se a greve dos Correios realmente vai acontecer? A decisão final costuma ser tomada em assembleias da categoria, nas quais os trabalhadores votam pela aprovação ou suspensão da paralisação, considerando o andamento das negociações.
O empréstimo de 20 bilhões de reais já está liberado? O valor foi aprovado internamente pelos Correios, mas ainda depende da análise final do Tesouro Nacional e de um decreto presidencial que dará base jurídica à operação.
O fechamento de mil agências é definitivo? O número integra o plano de reestruturação apresentado pela empresa. A implementação pode variar conforme decisões do governo, resultados das negociações com trabalhadores e eventuais questionamentos em órgãos de controle.













