A União de Maricá será a nova escola do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro em 2027. Leia em TVT News.
União de Maricá vence Série Ouro e sobe para elite do carnaval no Rio
A União de Maricá venceu a Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro e, pela primeira vez, subiu para a Grupo Especial das escolas de samba.
O resultado foi anunciado nesta quinta-feira (19), depois da apuração das notas no Novotel RJ Porto Atlântico, no Santo Cristo, região central da cidade.
A União de Maricá fez 269,4 pontos e conquistou o título mesmo com a perda de dois décimos por passar dois minutos do tempo obrigatório. A vice-campeã foi a Império Serrano, com 269,1 pontos, seguida da Unidos de Padre Miguel (269), União da Ilha (268,8), Em Cima da Hora (268,7) e Estácio de Sá (268,7).
A União de Maricá levou para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí o enredo Berenguendéns e balangandãs, que contou a história da joalheria produzida por pessoas negras no Brasil, com destaque para os balangandãs: adornos, enfeites e joias confeccionados e utilizados por mulheres negras nos períodos colonial e imperial.
Duas escolas foram rebaixadas para a Série Prata do Carnaval do Rio de Janeiro: a Inocentes de Belford Roxo e a Unidos do Jacarezinho, que fizeram 267 e 259,8 pontos respectivamente.
Samba-enredo da União de Maricá
A União de Maricá trouxe para a Sapucaí o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, que celebra a força, a beleza e a resistência das mulheres negras através da simbologia dos balangandãs, joias-amuletos repletas de significados, usadas como instrumentos de proteção, fé, identidade e também como estratégia de independência econômica.
A escola propôs uma leitura afrocentrada e afirmativa da história brasileira, destacando a sofisticação da joalheria negra e a sabedoria ancestral que transformou ornamentos em símbolos de liberdade e poder.
Confira a letra do samba-enredo da Maricá, vencedora da Série Ouro
Berenguendéns e Balangandãs
Nega da ladeira do PelôTens o som de SalvadorE a magia que fulguraRevolucionar é seu papelE a arte do cinzelTu carregas na cinturaJunto ao tabuleiro nas manhãsHá o sonho das irmãs que anseiam liberdadeEcoa toda Nzinga de MatambaA mandinga e a demandaRealeza, identidade
Balanço que lembra meu adarrrumNa armadura de Ogum, memória ancestralAdorno que guardo no meu IlêHerança dos MalêsÉ forja do metal!
Santa luz da rebeldia que moldou o livramentoSomos joias da princesa, filhas do empoderamentoPenduricalho que te entrego de lembrançaGuarda a fé, o fogo e o talhoResplandece a esperança
Eu peço aos meus OrixásE entrego todo o axéA nega pode e vai ter o que quiser
Tantas pretas consagradasMeu espelho com orgulhoA quem renega a mulheradaVá dormir com esse barulho
Balangandãs, berenguendénsCanta Maricá, o que a baiana temPertencimento que reluz no amuletoClaro, tinha que ser preto!



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