Trump recebe Netanyahu em Washington, nesta quarta-feira (11/2), em um cenário de incerteza no Oriente Médio, em que três frentes se cruzam: a disputa em torno do programa nuclear iraniano, o futuro de Gaza após meses de guerra e o cálculo político interno em Israel e nos Estados Unidos.
Qual a importância do encontro entre Trump e Netanyahu?
Netanyahu desembarcou em Washington após semanas de contatos entre militares, diplomatas e serviços de inteligência dos dois países, em meio a preocupações renovadas com o Irã. O encontro é visto como teste para possíveis ajustes na estratégia americana na região e para o grau de convergência entre as duas capitais.
Antes da conversa com Trump, o premiê israelense se reúne com o Secretário de Estado, Marco Rubio, para alinhar posições sobre Irã, Gaza e Cisjordânia. A etapa deve medir a receptividade americana a demandas israelenses mais duras e ao espaço de manobra de Washington diante de aliados árabes e europeus. Veja imagens de Netanyahu nos EUA (Reprodução/X/@netanyahu):
Met with U.S. Secretary of State @marcorubio at Blair House in Washington.Ahead of my meeting at the White House with President Trump, I signed Israel’s accession as a member of the “Board of Peace.”We will continue strengthening the unbreakable alliance between Israel and… pic.twitter.com/CJ4Lw92WdX— Benjamin Netanyahu – בנימין נתניהו (@netanyahu) February 11, 2026
Por que o impasse com o Irã preocupa Estados Unidos e Israel?
O impasse com o Irã resume a incerteza sobre o programa nuclear iraniano, após rodadas de diálogo indireto em Omã que terminaram sem avanços concretos. Em Washington, cresce a dúvida sobre a disposição de Teerã em aceitar novos limites e sobre a capacidade americana de costurar um acordo que satisfaça Israel.
Autoridades israelenses chegam com um pacote de “linhas vermelhas”, incluindo interrupção do enriquecimento em níveis de uso militar, remoção de estoques, limites a mísseis e redução do apoio iraniano a grupos armados. Relatórios de inteligência alertam que o arsenal de mísseis iranianos pode voltar rapidamente à faixa de 1.800 a 2.000 unidades, reforçando a insistência de Israel em preservar “liberdade de ação” militar.
Como o impasse com o Irã se conecta a Gaza e à Cisjordânia?
Embora o impasse com o Irã seja o foco, a reunião também gira em torno da guerra em Gaza e do destino da Cisjordânia, temas centrais para a estabilidade regional. O governo americano trabalha em um plano para o “dia seguinte” em Gaza, com redução gradual da capacidade militar do Hamas e forte supervisão internacional.
Israel adota posição mais rígida, defendendo que a reconstrução plena dependa do desarmamento completo do Hamas e de garantias contra sua reorganização militar. Na Cisjordânia, Trump indicou que não apoia, por ora, iniciativas de anexação, buscando evitar novos atritos com países árabes e parceiros europeus.
Quais são os principais pontos da agenda de segurança?
Os dois governos tentam articular um pacote que conecte negociações nucleares, arranjos de segurança em Gaza e limites para ações israelenses na Cisjordânia. Para analistas em Washington, Trump busca uma fórmula que reduza o risco de escalada militar sem romper com a coalizão de direita em Israel.
Nesse contexto, a reunião deve abordar de forma integrada temas que, embora distintos, se influenciam mutuamente na prática:
Parâmetros de um eventual acordo nuclear “enxuto” com o Irã e margem para operações israelenses.
Condições de desarmamento e reconstrução em Gaza, incluindo o papel do Hamas e de atores internacionais.
Futuro da Cisjordânia, limites para anexações unilaterais e impacto nas relações com países árabes.
Coordenação de inteligência e defesa antimísseis frente à capacidade balística iraniana.
Qual é o peso político da visita para Trump e Netanyahu?
A viagem tem forte componente interno para Netanyahu, às vésperas de novas eleições em Israel, onde a imagem de acesso direto ao presidente dos Estados Unidos é tratada como ativo eleitoral. A foto ao lado de Trump, em meio a debates sobre Irã e Gaza pós-guerra, reforça a narrativa de que o premiê influencia a política americana para o Oriente Médio.
Para Trump, o encontro é chance de exibir engajamento em temas sensíveis enquanto calibra pressões contraditórias: exigências israelenses mais duras em relação a Teerã e o interesse em evitar uma escalada que aumente custos para os EUA. As mensagens sobre o impasse com o Irã e o futuro de Gaza devem repercutir em capitais árabes, em Teerã, Moscou e Bruxelas, influenciando o ritmo de acordos e o nível de tensão militar na região.













