Presidente dos EUA afirma que ofensiva busca destruir capacidade militar iraniana e impedir avanço nuclear; conflito já provocou centenas de mortes e amplia tensão no Oriente Médio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (2), em discurso na Casa Branca, que a guerra contra o Irã pode durar “quatro a cinco semanas”, mas advertiu que as forças americanas têm capacidade de estender o conflito “muito além disso” caso considerem necessário. Segundo ele, os Estados Unidos já estariam “bem à frente” do cronograma militar inicialmente projetado. Leia em TVT News.
“Já estamos bem à frente das nossas projeções de tempo, mas seja qual for o tempo, está tudo bem, custe o que custar, nós sempre faremos… projetamos de 4 a 5 semanas, mas temos capacidade para ir muito além disso”, declarou o presidente Trump em coletiva.
No pronunciamento, Trump listou quatro objetivos centrais da ofensiva conduzida pelos EUA em conjunto com Israel: destruir as capacidades de mísseis iranianas, “aniquilar” sua Marinha, impedir que o país obtenha armas nucleares e assegurar que Teerã perca a capacidade de continuar financiando grupos armados regionais, como o Hezbollah e o Hamas.
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Trump ameaça
“Esta era nossa última e melhor chance de atacar — o que estamos fazendo agora — e eliminar as ameaças intoleráveis representadas por este regime doentio e sinistro”, afirmou. “E eles são de fato doentios e sinistros.”
A escalada militar teve início no último sábado, quando forças americanas e israelenses ampliaram ataques contra alvos estratégicos iranianos. O presidente também mencionou a chamada “Operação Martelo da Meia-Noite”, referindo-se aos bombardeios realizados em junho de 2025 contra três instalações nucleares iranianas. Segundo a Casa Branca, essas ações teriam destruído “totalmente” o programa nuclear de Teerã.
“Após a destruição do programa nuclear iraniano e a Operação Martelo da Meia-Noite, alertamos o Irã para que não tentasse reconstruir o programa em outro local”, disse Trump. “Mas eles ignoraram esses avisos e se recusaram a cessar sua busca por armas nucleares.”
Ataque de decaptação contra lideranças do Irã
Trump acrescentou que os EUA haviam previsto quatro semanas para “destituir a liderança militar” iraniana, mas que isso teria ocorrido “em cerca de uma hora”. A principal consequência foi a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, atingido durante bombardeios realizados por forças americanas e israelenses. A residência onde ele se encontrava foi atacada quando familiares e integrantes de seu círculo próximo estavam no local.
Outras autoridades iranianas também morreram nos ataques, entre elas o conselheiro Ali Shamkhani, o ministro da Defesa Aziz Nasiradze, o chefe do Estado-Maior Abdolrahim Mousavi, o comandante da Guarda Revolucionária Mohammad Pakpour e o vice-ministro da Inteligência identificado como Shirazi, além de outros dirigentes militares e políticos.
De acordo com reportagens anteriores da TVT News, a ofensiva já provocou ao menos 555 mortes entre os iranianos após bombardeios conjuntos de EUA e Israel, ampliando a crise humanitária no país e elevando a tensão regional. O governo iraniano reagiu prometendo vingança pela morte de Khamenei e reafirmando que não haverá negociação com os EUA.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou ter retaliado com ataques diretos contra estruturas em Israel. Segundo comunicado divulgado por agências estatais iranianas, mísseis balísticos do tipo “Khyber” atingiram o complexo governamental em Jerusalém e a sede do comando da Força Aérea israelense. A mídia iraniana classificou como “incerto” o paradeiro do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Até o momento, autoridades israelenses não confirmaram eventuais danos nem comentaram oficialmente a informação.
O conflito já produz efeitos econômicos globais. Após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte de petróleo — o preço internacional do barril registrou alta significativa, pressionando mercados e reacendendo temores de desabastecimento energético.
Além disso, o confronto se expande para outras frentes no Oriente Médio. O Hezbollah voltou a atuar militarmente na região, ampliando confrontos que envolvem também o Líbano, enquanto ataques e contra-ataques se intensificam em múltiplos territórios.
Outra guerra preventida
No discurso desta segunda, Trump reforçou o tom beligerante e descartou qualquer sinal imediato de recuo. “O regime já possuía mísseis capazes de atingir a Europa e nossas bases, tanto locais quanto no exterior, e em breve teria mísseis capazes de atingir nossa bela América”, afirmou Trump.
A retórica do presidente indica que a Casa Branca considera a campanha militar não apenas uma resposta pontual, mas uma ofensiva estratégica de desmonte do aparato militar iraniano e de sua influência regional. Com o agravamento das hostilidades e a multiplicação de vítimas, cresce a apreensão internacional quanto à duração e às consequências de um conflito que já extrapola as fronteiras bilaterais e ameaça redesenhar o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio.













