Nova geracao da TV digital promete imagem e som de cinema, mais interatividade e acesso gratuito para todos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina na tarde desta terça-feira (19) o decreto que oficializa a chegada da TV 3.0 ao Brasil. A nova geração da televisão digital promete transformar a forma como os brasileiros consomem conteúdo audiovisual, oferecendo avanços em qualidade de imagem e som, além de maior interatividade. A medida, coordenada pelo Ministério das Comunicações, deve impactar tanto emissoras quanto telespectadores, abrindo um novo ciclo tecnológico para o setor de radiodifusão.
A TV 3.0 é considerada uma evolução do padrão atual de transmissão digital, adotado no país em 2007. Entre os principais diferenciais estão a qualidade de imagem em resolução 4K e 8K, som imersivo semelhante ao de cinema, e a possibilidade de conteúdos personalizados, sob demanda. O sistema utiliza tecnologias baseadas em internet e radiodifusão híbrida, o que permitirá assistir transmissões abertas com a mesma qualidade das plataformas de streaming.
Segundo o Ministério das Comunicações, o decreto estabelece diretrizes para a adoção gradual da nova tecnologia. O cronograma prevê que, até 2027, as fabricantes de televisores já deverão produzir aparelhos compatíveis com o padrão brasileiro de TV 3.0. A expectativa é de que os primeiros equipamentos certificados cheguem ao mercado ainda em 2025, em modelos mais avançados de smart TVs.
Entre os benefícios diretos para o público está a possibilidade de escolher ângulos diferentes de uma partida de futebol, acessar estatísticas em tempo real durante uma transmissão esportiva, votar em enquetes exibidas na tela e até mesmo comprar produtos diretamente a partir do controle remoto. A interatividade, considerada o grande diferencial da TV 3.0, será acessível sem necessidade de internet em determinados serviços, mas ganha potência quando conectada à rede.
Outro ponto destacado pelo governo é a inclusão. O novo sistema traz melhorias em acessibilidade, como legendas mais precisas, audiodescrição com maior qualidade e múltiplas opções de áudio. Além disso, a tecnologia foi desenvolvida para garantir que o sinal chegue a diferentes regiões do país, ampliando a cobertura da TV aberta em localidades mais afastadas, onde o acesso à internet ainda é limitado.
Especialistas apontam que a chegada da TV 3.0 deve impulsionar a indústria nacional de equipamentos e conteúdos. O setor de radiodifusão brasileiro, que reúne centenas de emissoras públicas, privadas e comunitárias, terá a oportunidade de modernizar seus serviços sem perder o caráter de gratuidade da TV aberta. Para o telespectador, o acesso à tecnologia não terá custo de assinatura, mas exigirá aparelhos compatíveis ou conversores específicos, como ocorreu na transição do sinal analógico para o digital.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), a TV 3.0 permitirá ainda a integração entre diferentes plataformas. O usuário poderá, por exemplo, assistir a um telejornal ao vivo e, em seguida, acessar reportagens complementares sob demanda, direto na tela principal. Isso significa que a TV aberta ganhará funcionalidades semelhantes às oferecidas por serviços pagos de streaming, mas preservando sua natureza gratuita.
O governo ressalta que o decreto de Lula também tem impacto estratégico. A TV 3.0 foi desenvolvida a partir de um modelo brasileiro de inovação tecnológica, que contou com pesquisas conduzidas por universidades, emissoras e fabricantes ao longo da última década. A expectativa é de que o país se torne referência internacional na adoção do novo padrão, podendo inclusive exportar tecnologia para outros mercados.
A assinatura do decreto marca, portanto, um passo importante para a democratização do acesso à informação e ao entretenimento no Brasil. Em um cenário no qual o consumo de conteúdo audiovisual está cada vez mais concentrado em grandes plataformas digitais, a TV aberta busca se reinventar, oferecendo serviços de alta qualidade, interativos e acessíveis para toda a população.
Com a TV 3.0, o Brasil dá início a uma nova era da televisão, unindo tradição e inovação. A promessa é de que a tela principal da casa do brasileiro volte a ocupar um espaço de destaque, agora com recursos de última geração, sem abrir mão da gratuidade e da diversidade de conteúdos que caracterizam a TV aberta no país.












