O comentário do deputado federal Nikolas Ferreira sobre o desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Sapucaí, reacendeu o debate sobre o tratamento dado a diferentes lideranças políticas no Brasil durante o Carnaval do Rio de Janeiro.
O que disse Nikolas Ferreira sobre Lula no desfile da Sapucaí?
Em publicação no X (antigo Twitter), Nikolas Ferreira afirmou que, se o desfile tivesse ocorrido em 2022 com Jair Bolsonaro como personagem central, o ex-presidente estaria “preso”, o PL sofreria “busca e apreensão” e haveria “inelegibilidade vitalícia”. A fala foi direcionada à homenagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Lula.
O parlamentar classificou o desfile como exemplo de suposta diferença de tratamento entre líderes de campos ideológicos opostos. Para ele, a homenagem se aproximaria de propaganda política, que em outros contextos poderia gerar punições eleitorais, revelando um suposto desequilíbrio na atuação da Justiça Eleitoral. Veja a publicação:
Se esse desfile fosse em 2022:Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e o inegibilidade vitalícia.— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) February 16, 2026
Por que a comparação com Bolsonaro ganhou destaque político
A frase “Se fosse em 2022, Bolsonaro teria sido preso” virou eixo do debate entre aliados e opositores do governo. Para apoiadores do ex-presidente, a fala reforça a tese de maior rigor da Justiça Eleitoral com atos ligados à direita, enquanto críticos veem na comparação uma estratégia de desgaste do governo Lula em momento de alta visibilidade.
Além de Nikolas, o senador Flávio Bolsonaro também criticou o desfile, apontando um alegado duplo padrão na avaliação de eventuais irregularidades eleitorais. Nesse contexto, a discussão passou a girar em torno de temas recorrentes na política brasileira, como liberdade de expressão, atuação das instituições de controle e limites do engajamento político em festas populares.
Como a oposição reagiu ao desfile em homenagem a Lula?
A oposição ingressou com pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para barrar o desfile da Acadêmicos de Niterói, alegando propaganda eleitoral antecipada em favor de Lula. O TSE, porém, não atendeu à solicitação, entendendo que o desfile ocorria em contexto cultural e não configurava pedido direto de voto.
Nos bastidores jurídicos, o tema é analisado à luz de critérios já consolidados pelo tribunal, especialmente quando se trata de manifestações artísticas. A seguir, estão alguns dos principais pontos considerados pelo TSE em casos semelhantes:
Análise do conteúdo do enredo, fantasias e carros alegóricos;
Verificação de pedidos explícitos de voto ou apoio eleitoral;
Avaliação do contexto cultural do Carnaval como manifestação artística;
Momento do calendário eleitoral em que o ato ocorre e seu potencial impacto.
Como o dinheiro público é usado no financiamento das escolas de samba?
Outro ponto levantado por críticos foi o financiamento das escolas de samba com recursos públicos, por meio de incentivos culturais e apoio da prefeitura e de órgãos ligados à organização do Carnaval. Para a oposição, esse modelo levanta dúvidas quando o enredo homenageia uma autoridade em exercício, que poderá eventualmente disputar futuras eleições.
Defensores do modelo de financiamento ressaltam que o Carnaval é patrimônio cultural, movimenta turismo, empregos e a economia criativa, o que justificaria o apoio estatal independentemente do tema. O debate, contudo, segue aberto e costuma reaparecer a cada homenagem a figuras políticas em desfiles, shows ou outras expressões culturais de grande alcance popular.
Como o Carnaval se tornou palco de disputas políticas no Brasil?
O episódio envolvendo a frase de Nikolas Ferreira, o desfile em honra a Lula e a lembrança de Jair Bolsonaro mostra que manifestações culturais permanecem atravessadas por disputas políticas. Escolas de samba, blocos e artistas frequentemente incorporam figuras históricas e atuais em seus enredos, ampliando o alcance simbólico dessas apresentações.
A cada novo Carnaval, intensifica-se o debate sobre limites entre arte, crítica social, celebração popular e propaganda eleitoral. Nesse cenário, discussões sobre liberdade de expressão, atuação da Justiça Eleitoral, financiamento público da cultura e equidade de tratamento entre diferentes lideranças tendem a ganhar relevo, especialmente em períodos próximos a pleitos nacionais.













