O novo embate entre Irã e Estados Unidos ganhou um capítulo simbólico e altamente midiático após o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, divulgar uma imagem que compara Donald Trump a um faraó do Antigo Egito, publicada em sua conta oficial na plataforma X nesta segunda-feira (12/1), associando o presidente americano à figura de um tirano destinado à queda, em meio a fortes tensões externas e a uma grave crise interna no Irã.
Por que Khamenei comparou Trump a um faraó do Antigo Egito?
A comparação entre Trump e um faraó não é apenas uma provocação visual, mas parte de um repertório religioso e político do regime iraniano. No discurso de Khamenei, o faraó simboliza poder absoluto, opressão, arrogância diante de Deus e desprezo pela população, marcando Trump como um “faraó moderno”.
Na arte divulgada, um sarcófago em ruínas com o rosto de Trump aparece ao lado da frase “Como o Faraó”, reforçando a ideia de que governantes arrogantes que tentam dominar o mundo são derrubados no auge de seu poder. Ao publicar isso em redes sociais, o líder supremo também disputa o campo da comunicação global, buscando viralizar a associação entre Trump e tiranos históricos. Veja a publicação:
آن بابایی که با نخوت و غرور نشسته آنجا راجع به همهی دنیا قضاوت میکند، او هم بداند که معمولاً مستبدّین و مستکبران عالم، از قبیل فرعون و نمرود و رضاخان و محمّدرضا و امثال اینها، وقتی که در اوج غرور بودند سرنگون شدند،این هم سرنگون خواهد شد.#مثل_فرعون pic.twitter.com/hxzJVQQOiL— KHAMENEI.IR | فارسی (@Khamenei_fa) January 11, 2026
Como a crise econômica e os protestos internos influenciam o discurso do Irã?
O contexto interno ajuda a explicar por que essa imagem surge agora, em meio à forte desvalorização do rial iraniano, inflação elevada e perda de poder de compra. Desde 28 de dezembro, o país enfrenta uma onda de manifestações que atinge diversas camadas da sociedade e pressiona fortemente o governo.
Dados da agência de direitos humanos HRANA apontam protestos em 585 localidades nas 31 províncias, com pelo menos 544 mortos e mais de 10 mil detidos. Ao comparar Trump a um faraó, Khamenei tenta deslocar parte do foco da crise para um inimigo externo, apresentando críticas internacionais como interferência estrangeira e justificando medidas de segurança mais rígidas.
Quais respostas o Irã deu às ameaças e declarações de Trump?
Após as ameaças e comentários de Trump sobre a liderança iraniana e os protestos, Teerã adotou um tom de firmeza e confronto. Autoridades iranianas alertaram que, em caso de ataques dos Estados Unidos, centros militares e de navegação ligados a Washington e Israel seriam considerados “alvos legítimos”, sinalizando disposição para retaliação.
Além dos comunicados oficiais, a vinculação de Trump à figura de um tirano adiciona um componente simbólico religioso à mensagem política. Ao afirmar que “este também será derrubado”, Khamenei sugere que a trajetória de líderes vistos como opressores teria um desfecho inevitável, reforçando uma narrativa de resistência frente às pressões externas.
O que revela a disputa de narrativas entre Irã e Estados Unidos?
A comparação de Trump a um faraó evidencia que o conflito entre Irã e Estados Unidos ultrapassa o campo militar e diplomático, alcançando a disputa simbólica e de opinião pública. O Irã se apresenta como resistência histórica e moral contra potências estrangeiras, enquanto Washington enfatiza direitos humanos, repressão e instabilidade regional.
Esse embate discursivo influencia como a opinião pública internacional percebe o conflito, afetando negociações diplomáticas e a avaliação de riscos no Oriente Médio. Em um cenário de economia fragilizada e memórias recentes de repressão, novos episódios retóricos entre Khamenei, Trump ou outras lideranças americanas tendem a continuar nas plataformas digitais.












