O debate em torno do show de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl ganhou força após Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, atacar publicamente a apresentação e classificá-la como uma “bagunça” e uma afronta à grandeza da América, evidenciando o peso político e cultural do evento.
Como foi a crítica de Donald Trump ao show de Bad Bunny?
Trump não mencionou o nome de Bad Bunny diretamente, mas deixou claro o alvo de suas críticas ao dizer que o espetáculo seria “absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos”, sem representar os padrões de sucesso ou excelência dos Estados Unidos.
Na postagem, o presidente afirmou que “ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”, classificou a dança como “repugnante” e considerou o show um “tapa na cara do país”, mirando também o simbolismo de um artista latino em um dos palcos de maior visibilidade da TV americana. Veja imagens do show:
BAD BUNNY MENCIONANDO O BRASIL NO SUPER BOWLCINEMA 🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷 pic.twitter.com/50APVEGSoe— NBA do Povo 🏀🇧🇷 (@NBAdoPovo) February 9, 2026
Por que o show de Bad Bunny no Super Bowl gerou tanta polêmica?
A polêmica vai além de gosto musical: Bad Bunny consolidou uma imagem ligada a pautas sociais e políticas, sobretudo na América Latina e em Porto Rico, tendo participado de protestos contra o então governador Ricardo Rosselló em 2019 e apoiado causas como direitos LGBTQIA+ e justiça social.
Ao manter letras em espanhol, sonoridade de reggaeton e trap latino e referências a clássicos latino-americanos, o cantor preserva sua identidade, tornando-se símbolo de representatividade para imigrantes e descendentes latino-americanos e contrastando com artistas que se adaptam mais ao mercado dos EUA.
Como o Super Bowl se tornou palco de disputa política e cultural?
O show do intervalo do Super Bowl costuma ser planejado como entretenimento de apelo amplo, mas já teve momentos politizados, como Beyoncé em 2016 com referências aos Panteras Negras e o caso de 2025, quando um dançarino de Kendrick Lamar exibiu bandeiras da Palestina e do Sudão e acabou preso.
Em 2026, o clima é ainda mais sensível devido à tensão em torno das políticas de imigração, com protestos contra o ICE após mortes em operações em Minnesota e declarações da Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, sugerindo presença intensa da agência durante o evento.
Qual é o papel de Bad Bunny na representatividade latina no Super Bowl?
Nesse contexto, a presença de um artista porto-riquenho com histórico de posicionamentos políticos ganhou peso simbólico especial, sendo vista por muitos como afirmação cultural e visibilidade para imigrantes, enquanto setores alinhados a Trump a entenderam como desafio à identidade americana defendida pelo presidente.
A escolha de Bad Bunny também dialoga com mudanças demográficas e de consumo, já que a população latina cresce em relevância econômica e a música em espanhol ganha espaço em rádios, streaming e premiações, levando a NFL a mirar um público mais diverso e global.













