O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a se manifestar publicamente sobre a delação premiada de Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens, classificando-a como uma forma de “tortura”. A declaração foi feita em entrevista à CBN Recife após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciá-lo, em 19 de fevereiro de 2025, por crimes como organização criminosa e tentativa de golpe de Estado. O caso ganhou destaque quando, no mesmo dia, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes retirou o sigilo dos depoimentos de Cid, realizados em novembro de 2024, revelando detalhes que embasaram a denúncia contra Bolsonaro e outras 33 pessoas. Na audiência, Moraes teria pressionado Cid a falar a verdade, ameaçando-o com consequências para sua família, o que Bolsonaro apontou como um ato de coação.
Durante a entrevista, o ex-presidente alegou que situações similares no passado, como na Operação Lava Jato, resultaram na anulação de processos, sugerindo que o mesmo poderia ocorrer agora. A delação, segundo ele, foi obtida de maneira injusta, em um contexto de forte pressão psicológica sobre o tenente-coronel, que mudou suas versões após as advertências do ministro. O caso segue em andamento, com Bolsonaro tendo 15 dias para se manifestar oficialmente sobre as acusações.
A delação de Mauro Cid tornou-se um dos pilares da investigação conduzida pela PGR, que acusa Bolsonaro de liderar uma trama para subverter a ordem democrática após as eleições de 2022. Cid, que foi ajudante de ordens durante o governo Bolsonaro, firmou o acordo de colaboração com a Polícia Federal (PF) após meses de prisão, sendo solto em setembro de 2023 com a condição de usar tornozeleira eletrônica. Os depoimentos, agora públicos, mostram que o tenente-coronel detalhou reuniões e ações do ex-presidente, embora a defesa de Bolsonaro conteste a veracidade e a legalidade dessas informações. Na audiência de novembro de 2024, realizada com a presença do procurador-geral Paulo Gonet, Moraes deixou claro que Cid precisava ser completo em suas declarações, afirmando que aquela era sua “última chance” de colaborar. Bolsonaro, por sua vez, destacou que Cid foi privado de contato com a esposa e o pai, o general Mauro Lorena Cid, durante parte de sua detenção, o que ele considera uma tática de intimidação.
O ex-presidente também comparou o caso à Lava Jato, lembrando que prisões e delações sob pressão levaram à revisão de processos judiciais anos atrás. Enquanto isso, os advogados dos denunciados vinham criticando a falta de acesso à íntegra da delação, uma demanda parcialmente atendida com a decisão de Moraes de liberar os documentos e vídeos. O episódio reforça a tensão entre Bolsonaro e o STF, que já impôs medidas como a retenção de seu passaporte.
A crítica de Bolsonaro à delação de Mauro Cid como “tortura” gerou reações imediatas no meio político e jurídico. Para o ex-presidente, a pressão exercida sobre Cid compromete a legitimidade das provas usadas pela PGR, uma tese que seus aliados devem explorar nos próximos passos do processo. A divulgação dos vídeos da audiência revelou momentos de confronto entre Moraes e Cid, com o ministro alertando sobre possíveis omissões, o que alimentou o discurso bolsonarista de perseguição judicial.
Por outro lado, a PGR sustenta que as informações fornecidas por Cid, corroboradas por outras evidências, como mensagens e documentos, são robustas o suficiente para sustentar a denúncia. Entre os impactos, destaca-se o prazo de 15 dias dado por Moraes para que Bolsonaro e os demais denunciados apresentem suas defesas, um período que promete intensificar o embate jurídico. Além disso, a situação levanta debates sobre os limites das delações premiadas no Brasil, especialmente quando há alegações de coação. Especialistas apontam que, se a defesa de Bolsonaro conseguir provar irregularidades na obtenção do depoimento, isso pode enfraquecer o caso da PGR, assim como ocorreu em revisões da Lava Jato. Enquanto isso, o ex-presidente mantém sua narrativa de inocência, negando qualquer intenção de subverter a ordem constitucional e afirmando que eventuais discussões sobre estados de sítio ou defesa eram “remédios constitucionais”. O caso também expõe a polarização política, com apoiadores de Bolsonaro questionando o STF e críticos defendendo a atuação do Judiciário.
Perspectivas para o Futuro do Caso
A denúncia da PGR e a reação de Bolsonaro à delação de Mauro Cid abrem um novo capítulo na trajetória jurídica do ex-presidente, que já enfrenta outras investigações, como a venda de joias sauditas e fraudes em cartões de vacinação. Com o processo agora em curso no STF, o foco recai sobre como a defesa aproveitará os 15 dias para contestar as acusações, possivelmente reforçando a tese de “tortura psicológica” para desqualificar a delação. A comparação com a Lava Jato, feita por Bolsonaro, sugere que ele buscará paralelos jurídicos para questionar a validade das provas, o que pode prolongar a disputa nos tribunais.
Além disso, a exposição pública dos depoimentos de Cid mantém o caso sob os holofotes, influenciando a opinião pública e o cenário político. Para o futuro, há a possibilidade de Bolsonaro enfrentar sanções mais duras, como prisão preventiva, caso a Justiça acolha o pedido da PGR, embora isso dependa da análise das evidências. Por outro lado, uma eventual falha na denúncia poderia fortalecer sua posição entre apoiadores, que o veem como alvo de perseguição. Enquanto o ex-presidente segue com o passaporte retido, impedido de deixar o país, o desfecho do caso promete reverberar no Brasil, reacendendo discussões sobre os limites do Judiciário, os direitos dos investigados e o uso de delações premiadas. A resolução, contudo, ainda parece distante, com o STF no centro de uma batalha que mistura política e justiça. Saiba mais em Agora Notícias Brasil e acompanhe atualizações na categoria Política.