O advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Celso Vilardi, anunciou recentemente que irá solicitar a anulação do acordo de colaboração premiada firmado pelo tenente-coronel Mauro Cid. A decisão de contestar a delação foi confirmada à CNN Brasil, mas o advogado não especificou um prazo para formalizar o pedido. O conteúdo da delação de Cid, cujas gravações foram divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira, 20 de fevereiro, tem gerado repercussão no cenário político nacional, uma vez que essas gravações foram usadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em sua denúncia contra Bolsonaro, no contexto da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
As gravações feitas por Cid, que era ajudante de ordens do ex-presidente, possuem grande relevância no processo, visto que, de acordo com as autoridades, elas fornecem elementos importantes que ligam Bolsonaro a um suposto plano golpista. A acusação central no processo é a de que Bolsonaro teria participado ativamente da organização de um golpe com o objetivo de reverter o resultado das eleições de 2022. Esse episódio tem sido tratado como um dos mais graves desde o fim da ditadura militar, envolvendo membros das Forças Armadas e outros aliados do ex-presidente.
O ex-mandatário, por sua vez, se mostrou tranquilo em relação à possibilidade de ser preso. Durante um evento do Partido Liberal (PL) em Brasília, Bolsonaro fez questão de afirmar que não se importava com as ameaças de prisão. Em suas palavras, ele afirmou: “Caguei para prisão”, um posicionamento que tem gerado debates sobre a postura do ex-presidente diante das graves acusações. O evento, que foi realizado no Seminário Nacional de Comunicação do PL, contou com a presença de diversos membros da legenda, e Bolsonaro aproveitou para se defender das acusações feitas pela PGR, afirmando que se sentia “tranquilo” e que não havia “nada contra a gente além das narrativas”.
O ex-presidente também comentou sobre as alegações de um possível golpe de Estado. Em sua fala, ele disse que quem realmente dá um golpe é quem vence uma eleição, e não quem perde. “Agora, o duro é quando você é golpeado e te acusam de dar golpe”, afirmou, demonstrando confiança de que os processos contra ele não prosperariam. Segundo Bolsonaro, o único “golpe” no qual ele estaria envolvido seria aquele sofrido nas urnas.
Além da tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro está sendo acusado de outros crimes, como organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros. O processo contra o ex-presidente é um dos mais complexos da atualidade, pois envolve uma série de figuras políticas e militares que podem ter atuado de forma coordenada na tentativa de reverter o resultado das eleições.
Ainda no contexto dessa investigação, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, divulgou as gravações da delação de Mauro Cid, que, além de envolver Bolsonaro diretamente, também cita outros membros do governo e aliados políticos do ex-presidente. A divulgação das gravações e o andamento do processo têm gerado forte tensão entre os diversos atores políticos, com Bolsonaro e seus apoiadores acusando o Supremo de perseguição, enquanto a PGR e outros grupos defendem a continuidade das investigações.
A estratégia de Vilardi, advogado de Bolsonaro, de contestar a delação de Cid é uma tentativa de enfraquecer as provas que estão sendo utilizadas pela acusação. A expectativa é que o pedido de anulação da colaboração seja analisado rapidamente, embora o advogado tenha optado por não estabelecer um prazo específico para o movimento.
O cenário político se tornou ainda mais polarizado após essas revelações, com a situação de Bolsonaro se complicando à medida que as investigações avançam. O ex-presidente, que já enfrentou diversas controvérsias durante e após seu mandato, agora se vê no centro de um dos maiores desafios jurídicos de sua carreira política. Ele continua a manter um discurso de defesa enfática, rejeitando as acusações de golpe e insistindo na tese de que sua administração foi vítima de um processo fraudulento nas urnas.
Por outro lado, aliados e críticos do ex-presidente continuam a debater as implicações dessas investigações, que podem afetar não apenas a reputação de Bolsonaro, mas também o futuro político do país. O caso está longe de ser resolvido, e a tensão entre os diferentes poderes continua a crescer à medida que mais informações vêm à tona, deixando a população atenta às movimentações no STF e nas esferas políticas do Brasil.