Nesta quarta-feira (18/2), a reação da primeira-dama Janja da Silva ao rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu enredo deste ano, ganhou destaque nas redes sociais e ampliou o debate sobre a presença da política nos desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro.
Como foi o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói?
A Acadêmicos de Niterói encerrou a apuração com 264,6 pontos, a menor nota entre as escolas do Grupo Especial do Carnaval carioca. Segundo o regulamento da Liga Independente das Escolas de Samba, a última colocada é automaticamente rebaixada para a Série Ouro na temporada seguinte, o que ocorrerá em 2027.
O desfile, realizado em 15 de fevereiro de 2026 na Marquês de Sapucaí, apresentou o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, centrado na trajetória de Lula e em referências ao Partido dos Trabalhadores. A combinação de baixa pontuação e forte carga política transformou o resultado em um tema nacional nas plataformas digitais.
Como foi o enredo em homenagem a Lula?
O samba-enredo fez menções diretas ao presidente, à história do PT e a símbolos do partido, como o grito “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” e o número de urna usado nas eleições. A primeira-dama Janja também foi citada na letra, assim como o filme Ainda Estou Aqui, vinculado a temas de memória e ditadura.
Além da biografia de Lula desde 1952, o desfile trouxe alegorias com leitura política explícita, incluindo uma figura alusiva ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), retratado como um palhaço atrás das grades. Esse carro alegórico ganhou grande repercussão nas redes e passou a integrar a disputa narrativa em torno do resultado da apuração.
Como Janja reagiu ao rebaixamento da escola que homenageou Lula?
A reação de Janja da Silva ao rebaixamento da escola que homenageou Lula ocorreu principalmente pelo Instagram, em meio à alta repercussão do tema em redes sociais e veículos de notícia. Ela buscou reforçar a legitimidade da escolha temática da agremiação e destacar o caráter simbólico do enredo.
Em uma primeira postagem, Janja compartilhou uma imagem das escolas que desfilaram, com o samba da Acadêmicos de Niterói ao fundo e destaque para o verso “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Em seguida, republicou conteúdo da escola com a frase “A arte não é para os covardes”, interpretada como defesa da liberdade artística em contextos politizados:
Uso das redes sociais como principal canal de manifestação de Janja;
Ênfase na legitimidade da expressão artística e da escolha do enredo;
Reforço da narrativa de esperança ligada à figura de Lula;
Amplificação do debate sobre política no Carnaval carioca.
Como a oposição reagiu ao rebaixamento da escola que homenageou Lula?
O rebaixamento da escola que homenageou Lula também foi explorado por figuras da oposição, especialmente ligadas ao bolsonarismo, que transformaram o resultado técnico em símbolo político. O episódio foi inserido em um contexto de polarização contínua e de disputas eleitorais futuras.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou uma imagem gerada por inteligência artificial mostrando Lula e integrantes da escola em uma lata com o rótulo “Rebaixada em conserva. Acadêmicos de Niterói”, em referência a uma fantasia que criticava “neoconservadores”. Flávio Bolsonaro classificou o episódio como ataque à família, enquanto Carlos Bolsonaro chamou o resultado de “derrota humilhante”, gerando intensa replicação em Instagram e X (antigo Twitter). Veja publicação recente de Janja nas redes sociais:
Qual o impacto do rebaixamento no debate sobre arte e política?
O rebaixamento da escola que homenageou Lula reacendeu o debate sobre os limites e possibilidades da arte em um ambiente de forte polarização. O Carnaval do Rio, historicamente marcado por críticas sociais e políticas, voltou ao centro da discussão sobre como desfiles dialogam com a conjuntura nacional.
A frase “A arte não é para os covardes”, destacada por Janja e por setores culturais, foi vista como síntese da controvérsia em torno da ousadia do enredo. A permanência da Acadêmicos de Niterói na Série Ouro em 2027 tende a manter o caso como referência em debates sobre enredos biográficos de figuras políticas, disputas simbólicas em alegorias e o papel das redes sociais e memes na amplificação de narrativas carnavalescas e eleitorais.












