O novo resultado do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025 expôs novamente um contraste marcante entre países. Enquanto a Dinamarca permanece na liderança global, o Brasil caiu para a 107ª posição entre 182 avaliados, com apenas 35 pontos em uma escala de 0 a 100, o que afeta diretamente confiança institucional e decisões de investimento.
O que é o Índice de Percepção da Corrupção e como ele funciona?
O IPC, produzido pela Transparência Internacional, não mede casos concretos de desvio de recursos, mas a percepção de especialistas, analistas e executivos sobre integridade, previsibilidade e clareza das regras em cada país. Nesse cenário, economias como Dinamarca e Finlândia aparecem no topo, enquanto nações marcadas por conflitos e instituições frágeis, como Venezuela, Somália e Sudão do Sul, figuram nas últimas colocações.
Em 2025, a Dinamarca alcançou 89 pontos e a Finlândia 88, refletindo alta confiança na capacidade estatal de controlar abusos de poder e punir desvios. No extremo oposto, Venezuela obteve 10 pontos e Somália e Sudão do Sul, 9 pontos, evidenciando instabilidade política e fragilidade institucional, enquanto o Brasil, com 35 pontos, registra deterioração na percepção externa desde 2012:
Escala do IPC 0 indica percepção de corrupção muito elevada e 100, percepção de corrupção muito baixa.
Fonte dos dados pesquisas com especialistas, executivos, analistas de risco e organismos internacionais.
Uso do índice baliza decisões de investimento, cooperação internacional e análise de risco-país em relatórios globais.
Por que o ranking da corrupção é relevante para a economia e a política?
O chamado ranking da corrupção é muitas vezes visto como termômetro moral, mas na prática funciona como barômetro de confiança nas instituições estatais. Quanto maior a pontuação, maior a percepção de que o Estado aplica leis de forma consistente, controla abusos e reduz espaços para interferências arbitrárias em contratos e investimentos.
A piora na pontuação tende a afetar decisões de investidores, negociações multilaterais e a imagem de estabilidade democrática, encarecendo crédito e elevando o prêmio de risco. Pesquisadores também ressaltam o risco da Lei de Goodhart, quando governos passam a mirar apenas a melhora do indicador, sem atacar problemas estruturais como burocracia excessiva, baixa coordenação entre órgãos de controle e volatilidade normativa.
Quais fatores explicam a liderança da Dinamarca no IPC?
A liderança da Dinamarca no ranking da corrupção é atribuída a um arranjo institucional consolidado, e não a uma suposta virtude moral inata. O país combina alta capacidade estatal, forte confiança social e estabilidade normativa, reduzindo brechas para desvios e elevando o custo econômico e reputacional de práticas ilícitas.
Os processos administrativos dinamarqueses são simples, rastreáveis e previsíveis, com decisões amplamente documentadas e auditáveis. Órgãos de controle internos, tribunais de contas e Ministério Público atuam de forma integrada, enquanto o setor privado adota padrões rigorosos de compliance e é efetivamente responsabilizado por corrupção:
Decisões registradas e auditáveis em diferentes instâncias governamentais.
Integração entre controles internos, órgãos de fiscalização e tribunais independentes.
Regras estáveis, com baixa volatilidade regulatória e ampla divulgação pública.
Setor privado sujeito a punições efetivas e programas robustos de integridade.
Por que o Brasil ocupa a 107ª posição no ranking da corrupção?
No Brasil, a colocação no ranking da corrupção revela um problema de confiança institucional mais do que uma mensuração direta do volume de corrupção. A nota de 35 pontos em 2025 sinaliza dificuldades para garantir previsibilidade das regras, estabilidade regulatória e aplicação uniforme das leis, fatores que ampliam a percepção de risco entre investidores e organismos internacionais.
Estudiosos apontam desafios recorrentes, como processos administrativos pouco previsíveis, excesso de burocracia e mudanças normativas frequentes, que criam espaço para intermediações informais. Esse ambiente gera questionamentos sobre a capacidade de punição a desvios, afeta a imagem de estabilidade democrática e pode desestimular investimentos de longo prazo em infraestrutura e inovação:
Desafios institucionais baixa coordenação entre órgãos de controle e sobreposição de competências.
Efeito econômico aumento do risco percebido, encarecimento do crédito e retração de capitais produtivos.
Impacto político dúvidas sobre estabilidade institucional e efetividade da responsabilização por corrupção.
Como o IPC reflete a qualidade das instituições?
Apesar das diferenças entre Dinamarca e Brasil, especialistas destacam que, em ambos os casos, o IPC funciona como um espelho das instituições e de sua governança. Onde o sistema estatal opera com transparência, controles integrados, normas claras e participação social, a percepção de corrupção tende a cair de forma sustentável ao longo do tempo.
Em contextos de fragilidades institucionais, conflitos recorrentes e incerteza regulatória, o índice costuma refletir dificuldades estruturais mais amplas, com repercussões que ultrapassam as estatísticas. Por isso, melhorias consistentes no IPC normalmente exigem reformas profundas em gestão pública, simplificação burocrática, fortalecimento de órgãos de controle e cultura de integridade também no setor privado.













