O impasse entre o Parlamento Europeu e o governo dos Estados Unidos em torno do acordo comercial entre União Europeia e EUA ganhou um novo capítulo após a pressão do presidente Donald Trump para comprar a Groenlândia. A reação dos eurodeputados à combinação de ameaças tarifárias e disputas geopolíticas levou à suspensão dos trabalhos sobre o pacto, criando um clima de incerteza para empresas, exportadores e governos dos dois lados do Atlântico.
Por que o Parlamento Europeu suspendeu o acordo com os EUA?
A suspensão foi anunciada nesta quarta-feira (21/1) pelo presidente do Comitê de Comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange. Segundo ele, as novas ameaças tarifárias do governo Trump romperam o entendimento de Turnberry, firmado no final de julho na Escócia, que previa redução de tarifas e taxas zero para lagostas dos EUA.
O acordo vinha sendo discutido como forma de eliminar ou reduzir tarifas de importação aplicadas pelo bloco europeu sobre produtos americanos. Muitos eurodeputados, porém, consideravam o arranjo desequilibrado, ainda que aceitável com salvaguardas como cláusula de caducidade de 18 meses e mecanismos de reação a aumentos súbitos de exportações.
Como a Groenlândia e as tarifas agravaram a crise entre UE e EUA?
O ponto de ruptura surgiu quando a pressão de Trump para adquirir a Groenlândia, território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca, foi acompanhada de ameaças de tarifas adicionais contra países europeus que se opusessem ao plano. Para o Parlamento Europeu, isso transformou o acordo em moeda de troca política, incompatível com um relacionamento comercial baseado em regras claras.
Ao mesmo tempo, as tarifas passaram a ser usadas como instrumento explícito de pressão, com sinalizações de novas barreiras sobre aço, bebidas alcoólicas e outros produtos industriais. Na visão de eurodeputados, vincular o acordo de Turnberry a disputas territoriais e geopolíticas minou a previsibilidade necessária aos compromissos comerciais transatlânticos.
Quais são os principais impactos econômicos e políticos?
A paralisação do acordo pode afetar cadeias produtivas em diferentes setores, mantendo custos de acesso ao mercado europeu para exportadores americanos, especialmente produtores de lagosta e outros bens beneficiados pelo pacto. Para empresas europeias, persiste a falta de reciprocidade tarifária e o congelamento de qualquer tentativa imediata de reequilíbrio.
Especialistas em comércio internacional destacam que a decisão gera um ambiente de maior incerteza regulatória e tensiona a relação política entre os dois lados do Atlântico. Entre os possíveis desdobramentos, ganham destaque efeitos sobre tarifas, investimentos e estratégias de médio prazo:
Aumento do risco de guerra tarifária, caso Trump reaja com novas taxas sobre produtos europeus.
Insegurança jurídica para empresas que planejavam investimentos baseados no acordo de Turnberry.
Reforço de divisões políticas internas na UE e nos EUA sobre a condução da relação bilateral.
Pressão sobre países europeus mais dependentes do comércio com os Estados Unidos.
Como o impasse entre União Europeia e Estados Unidos pode evoluir?
Embora o processo esteja suspenso, o acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos não foi formalmente abandonado. O futuro dependerá de eventual recuo nas ameaças tarifárias, de uma mudança de tom sobre a Groenlândia e de ajustes que tornem o pacto mais simétrico, inclusive na distribuição de cortes tarifários.
Diplomatas consideram cenários que vão desde a retomada gradual das negociações, com garantias de que o acordo não será usado como ferramenta de pressão geopolítica, até uma escalada tarifária que empurre a UE a priorizar outros parceiros comerciais. Enquanto isso, governos e empresas reavaliam riscos e oportunidades diante da incerteza prolongada.













